O Trabalho nas Diferentes Sociedades

O TRABALHO NAS DIFERENTES SOCIEDADES

“O termo trabalho pode ter nascido do vocabulário latino tripallium, que significa ‘instrumento de tortura”, e por muito tempo esteve associado à idéia de atividade penosa e torturante.

Trabalho e sociedade

O trabalho é um assunto sobre o qual sempre há muitas perguntas a fazer. Afinal, para que ele existe? Quem o inventou?Seu significado é semelhante nas diferentes sociedades?
Poderíamos dizer que o trabalho existe para satisfazer as necessidades humanas, desde as mais simples, como as de lazer,crença e fantasia. E, se o trabalho existe para satisfazer nossas necessidades.fomos nós que o inventamos. No entanto ,essa atividade humana nem sempre teve o mesmo significado, a mesma organização e o mesmo valor.



A Produção nas sociedades tribais
As sociedades tribais diferenciam-se umas das outras em muitos aspectos, mas pode-se dizer, em termos gerais, que não são estruturadas pela atividade que em nossa sociedade denominamos trabalho. Nelas todos fazem quase tudo, e as atividades relacionadas à obtenção do que as pessoas necessitam para se manter - caça coleta, agricultura e criação - estão associadas aos ritos e mitos, ao sistema de parentesco, às festas e às artes, integrando-se, portanto, a todas as esferas da vida social.
A organização dessas atividades caracteriza-se pela divisão das tarefas por sexo e por idade. Os equipamentos e instrumentos utilizados, comumente vistos pelo olhar estrangeiro como muito simples e rudimentares, são eficazes para realizar tais tarefas. Guiados por esse olhar, vários analistas, durante muito tempo, classificaram as sociedades tribais como de economia de subsistência e de técnica rudimentar, passando a idéia de que elas viveriam em estado de pobreza, o que é um preconceito. Se hoje muitas delas dispõem de áreas restritas, enfrentando difíceis condições de vida, em geral, antes do contrato com o chamado "mundo civilizado", a maioria vivia em áreas abundantes em caça, pesca e alimentos de vários tipos.
Marshall Sahlins, antropólogo estadunidense, chama essas sociedades de "sociedades de abundância" ou "sociedade do lazer", destacando que seus membros não só tinham todas as suas necessidades materiais e sociais plenamente satisfeitas, como dedicavam um mínimo de horas diárias ao que nós chamamos de trabalho. Os ianomâmis, da Amazônia, dedicavam pouco mais de três horas diárias às tarefas relacionadas à produção; os guayakis, do Paraguai, cerca de cinco horas, mas não todos os dias; e os kungs, do deserto de Kalahari, no sul da África, em média quatro horas por dia.
O fato de dedicar menos tempo a essas tarefas não significava, no entanto, ter uma vida de privações. Ao contrário, as sociedades tribais viviam muito bem alimentadas, e isso fica comprovado em relatos que sempre demonstram a vitalidade de todos os seus membros. É claro que tais relatos referem-se à experiência de povos que viviam antes do contato com o “mundo civilizado”.
A explicação para o fato de os povos tribais trabalharem muito menos do que nós está no modo como se relacionam com a natureza, também diferentes do nosso. Por um lado, para eles, a terra é o espaço em que vivem e tem valor cultural, pois dá aos humanos seus frutos: a floresta presenteia os caçadores com os animais de que necessitam para a sobrevivência e os rios oferecem os peixes que ajudam na alimentação. Tudo isso é um presente da “mãe natureza”. Por outro lado, os povos tribais têm uma profunda intimidade com o meio em que vivem.Conhecem os animais e as plantas, a forma como crescem e se reproduzem, o que é bom e o que é ruim para comer e quando podem utilizar certas plantas e determinados animais para alimentação, para cura de seus males ou para seus ritos.

Labor, poiesis e práxis

Os gregos distinguiam claramente a atividade braçal de quem cultiva a terra, a atividade manual do artesão e a atividade do cidadão que discute e procura soluções para os problemas da cidade.
De acordo com a filósofa alemã Hanna Arendt (1906-1975), os gregos utilizavam os termos labor, poiesis e práxis para expressar suas três concepções para a idéia de trabalho.
O labor é o esforço físico voltado para a sobrevivência do corpo, sendo, portanto, uma atividade passiva e submissa ao ritmo da natureza. O exemplo mais claro dessa atividade é o cultivo da terra, pois depende de forças que o ser humano não pode controlar como o clima e as estações.
Poiesis corresponde ao fazer, ao ato de fabricar, de criar algum produto mediante o uso de um instrumento ou mesmo das próprias mãos. O produto desse trabalho muitas vezes subsiste à vida de quem o fabrica, tem um tempo de permanência maior que o do seu produtor. O trabalho do artesão ou do escultor se enquadraria nessa concepção.
A práxis é a atividade que tem a palavra como principal instrumento, isto é, utiliza o discurso como um meio para encontrar soluções voltadas para o bem-estar dos cidadãos. É o espaço da política, da vida pública.

Escravidão e servidão

Nas sociedades grega e romana era a mão de obra escrava que garantia a produção necessária para suprir as necessidades da população. Existiam outros trabalhadores além dos escravos, como os meeiros, os artesãos e os camponeses. No entanto, mesmo os trabalhadores livres eram explorados e oprimidos pelos senhores e proprietários. Estes eram desobrigados de qualquer atividade, exceto a de discutir os assuntos da cidade e o bem-estar dos cidadãos. Para que não dependessem do próprio trabalho e pudessem se dedicar exclusivamente a essa atividade, o trabalho escravo era fundamental.
Nas sociedades feudais, como no mundo grego-romano, havia também aqueles que trabalhavam – os servos, os camponeses livres e os aldeões – e aqueles que viviam do trabalho dos outros - os senhores feudais e os membros do clero -. A terra era o principal meio de produção, e os trabalhadores tinham direito a seu usufruto e ocupação, mas nunca à propriedade. Muitos trabalhavam em regime de servidão, no qual não gozavam de plena liberdade, mas também não eram escravos. Prevalecia um sistema de deveres do servo para com o senhor e deste para com aquele.
Além de cultivar as terras a ele destinadas, o servo era obrigado a trabalhar nas terras do senhor, bem como na construção e manutenção de estradas e pontes,. Essa obrigação se chamava corvéia. Devia também ao senhor a talha, uma taxa que se pagava sobre tudo o que se produzia na terra e atingia todas as categorias dependentes. Outra obrigação devida pelo servo eram as banalidades, pagas pelo uso do moinha, do forno, dos tonéis de cerveja e pelo fato de, simplesmente, residir na aldeia. Essa obrigação era extensiva aos camponeses.
Embora o trabalho ligado à terra fosse o preponderante nas sociedades medievais, outras formas de trabalho merecem destaque, como as atividades desenvolvidas nas cidades e mesmo nos feudos, e as atividades comerciais.
Nas sociedades que vimos nesse tópico, da Antiguidade até o fim da Idade Média, as concepções do que denominamos trabalho apresentam variações, mas poucas alterações. Sempre muito desvalorizado, o trabalho não era o elemento central, o núcleo que orientava as relações sociais. Estas se definiam pela hereditariedade, pela religião, pela honra, pela lealdade e pela posição em relação às questões públicas. Eram esses os elementos que permitiam que alguns vivessem dos trabalhos dos outros.
Com o fim do período medieval e a emergência do mercantilismo e do capitalismo, o trabalho “mudou de figura”. Se antes ele era visto como uma atividade penosa e torturante, passou aos poucos a ser considerado algo positivo. Isto aconteceu porque, não sendo mais possível contar com o serviço compulsório, foi preciso convencer as pessoas de que trabalhar para os outros era bom; dizia-se que só assim todos sairiam beneficiados. Para mudar a concepção de trabalho, ocorreu o convencimento do trabalhador de que a situação presente era melhor do que a anterior. Diversos setores da sociedade colaboraram para essa mudança:
- As igrejas procuraram passar a idéia de que o trabalho era um bem divino e de que quem não trabalhasse não seria abençoado. Não trabalhar (ter preguiça) passou a ser pecado.
- Os governantes passaram a criar uma série de leis e decretos que penalizavam quem não trabalhasse. Os desempregados eram considerados vagabundos e podiam ir para a prisão. Inclui-se aqui o auxílio da polícia, encarregada de prender esses “vagabundos”.
- Os empresários desenvolveram uma disciplina rígida no trabalho, principalmente com horários de entrada e saída dos estabelecimentos.
- As escolas passaram às crianças a idéia de que o trabalho era fundamental para a sociedade. Esse conceito era ensinado, por exemplo, nas tarefas e lições e também por meio dos contos infantis. Quem não se lembra, por exemplo, da história da cigarra e da Formiga ou dos Três Porquinhos? Quem não trabalhava “levava sempre a pior”.

Na vida real, a história era bem outra. O trabalhador estava livre, quer dizer, não era mais escravo nem servo, mas trabalhava mais horas do que antes.
Max Weber, em seu livro História Econômica, publicado em 1923, afirma que isso era necessário para que o capitalismo existisse. O trabalhador era livre apenas legalmente porque, na realidade, via-se forçado, pela necessidade e para não passar fome, a fazer o que lhe impunham.

4 comentários:

Anônimo disse...

legal

Depari disse...

valeu ajudou muito no meu trabalho de casa

Anônimo disse...

Valleu Foi Rio de Janeiro..
Miim ajudou bastante ..

Anônimo disse...

Você não citou a fonte. Simplesmente teve o descaradamento de copiar do livro de sociologia do Ensino Médio.
Aqui segue a referência:
TOMAZI, Nelson Dacio. Sociologia para o Ensino Médio. São Paulo, 2010. Editora Saraiva. 2ª ed.

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